As lâmpadas de mercúrio de baixa pressão, também conhecidas como lâmpadas fluorescentes, criada por Nikola Tesla em 1938, são artefatos de uso doméstico, comercial ou industrial, sendo responsável por 70% da luz artificial hoje no mundo. Somente no Brasil são comercializados atualmente cerca de 200 milhões de lâmpadas por ano e, se não forem bem cuidadas, poderão produzir sérios impactos ambientais. A lâmpada fluorescente, ao contrario da lâmpada por filamento, possui grande eficiência ao emitir mais energia eletromagnética em forma de luz de que calor. São de extrema utilidade na vida moderna, sendo cada vez mais usada pelo seu baixo consumo de energia e pela sua longa vida útil. Elas chegam a economizar até 80% de energia e durar seis vezes mais do que as lâmpadas incandescentes. Uma lâmpada fluorescente é composta por um tubo selado de vidro, preenchido com gás argônio e vapor de mercúrio a baixa pressão. O interior do tubo é revestida por uma camada de pó fosfórico e uma lâmpada contem 25mg de mercúrio. Na industria, o mercúrio é usado na fabricação de termômetros, barômetros, lâmpadas, espelhos, tintas e plásticos. O mercúrio é um metal que não ocorre de forma natural em nenhum organismo, e não desempenha qualquer função nutricional ou bioquímica em animais ou plantas. Sua presença nos seres vivos é prejudicial em qualquer concentração. Os danos causados pelo mercúrio são graves e quase sempre irreversíveis, podendo provocar repercussões no sistema neurológico, cardiológico, imunológico e reprodutivo. Um caso clássico de intoxicação ocorreu no Japão em 1953, quando 80 pessoas morreram ao consumirem peixes contaminados por mercúrio. Outro caso famoso de intoxicação ocorreu no garimpo de Serra Pelada onde garimpeiros inalaram vapor de mercúrio que era usado para purificar o minério de ouro. Quando uma lâmpada fluorescente se rompe o mercúrio é liberado sob a forma de vapor que é invisível e sem cheiro, que poderá ser inalado sem a pessoa perceber. O impacto gerado sobre o meio ambiente, decorrente de uma única lâmpada fluorescente, poderia ser considerado desprezível. No entanto, o descarte anual de 70 milhões de lâmpadas, apenas no Brasil, representa um sério problema de contaminação do ar, solo, lençóis freáticos e rios. A reciclagem das lâmpadas de mercúrio é a única solução capaz de evitar o descarte inadequado desses produtos e, consequentemente, evitar a contaminação do meio ambiente. Para reciclar uma lâmpada mercurial é necessário dispor de um gasto de aproximadamente 20% do seu custo de fabricação. O problema é definir quem se responsabiliza por este custo adicional. O Brasil, infelizmente, ainda não possui uma legislação especifica para o descarte de lâmpadas que contem mercúrio. A nova Política Nacional de Resíduos Sólidos procura atribuir o custo e a responsabilidade pelo descarte e reciclagem das lâmpadas aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, definindo como crime ambiental a sua destinação inadequada. Enquanto não tivermos uma regulamentação bem clara a respeito do descarte dessas lâmpadas, a população vai continuar manipulando as lâmpadas fluorescentes sem qualquer cuidado ou misturando-as com o lixo domiciliar comum, causando grande prejuízo para o meio ambiente.
Calçada como Elemento Integrador da Cidade
A maioria das cidades brasileiras não tem a menor preocupação de adequar as suas calçadas de forma correta para atender o trânsito das pessoas que tenham mobilidade plena ou reduzida. Caminhar a pé em nossas cidades deixou de ser tranquilo e confortável aos pedestres, devido às condições inadequadas das calçadas, que a todo instante encontram obstáculos e perigos de toda ordem. O Código de Trânsito Brasileiro define a calçada assim: parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins. Mas, sabemos que calçada é mais do que isso. Calçadas precisam ser conectadas umas às outras para formar um sistema de tráfego seguro e confortável para as pessoas que andam a pé. Sob o ponto de vista construtivo, as calçadas podem ser vistas também como complementos funcionais e estéticos para destacar e valorizar as edificações a que pertencem, tais como residências, prédios públicos, escolas, lojas, monumentos e praças. Se largas, generosas e executadas com arte, não só realçam como transformam ambientes sombrios em locais de agradável convivência. Não é difícil imaginar os benefícios que a adoção dos padrões de acessibilidade definidos pela ampla legislação existente poderiam trazer para a cidade. Calçadas com pavimento firme, antiderrapante, seguro que não empoce água, regularmente conservado, livre de obstáculos quaisquer que sejam, conectadas umas às outras por travessias seguras, geram confiança, proporcionam conforto, trazem segurança, estimulam o andar a pé e o compartilhamento do espaço público, contribuindo para maior e melhor convivência entre os moradores da cidade. Além desses benefícios intangíveis, trazem também benefícios diretos e imediatos na redução de acidentes, comuns e frequentes em nossas ruas, como quedas com escoriações, torções de tornozelo ou casos mais graves. Sob todos os pontos de vista – saúde, social, econômico, financeiro ou estético –, a melhoria das condições das calçadas é questão crucial por afetar a todos indistintamente, principalmente as pessoas com menor visibilidade, os portadores de deficiência ou com mobilidade reduzida. A transposição para outro patamar de desenvolvimento urbano é uma empreitada que requer determinação, planejamento, coordenação e engajamento de instituições de ensino, principalmente as de ensino superior, associações de classe, clubes de serviço, igrejas, profissionais liberais, enfim, todos quantos possam dar sua contribuição para o esforço conjunto de transformação da cidade em cidade desenvolvida e solidária, compatível com seu elevado nível econômico, intelectual e social. É preciso ter em mente que calçada é um espaço público tão ou mais importante que o espaço destinado aos automóveis, pelo qual exigimos que seja conservado sempre perfeito. Não é um problema exclusivo do proprietário do imóvel ou da prefeitura, embora caiba a esta a primazia da iniciativa. É um problema de todos nós. Piso escorregadio, depressão com acúmulo de água, tampa desnivelada, buraco, ressalto, rampas, produto exposto, poste, degrau, árvore, toldo, calçadas ocupadas como se fossem propriedade privada – um desfile sem fim de obstáculos no caminho do pedestre, que deveria estar livre, são quase todos problemas solúveis. Até postes, que parecem plantados para sempre, podem sair do meio da calçada, como ocorreu recentemente na saída da ponte da APAE. Os cadeirantes agradecem a atenção da CEMIG pela remoção. A AENAI está contribuindo para o equacionamento deste grande problema social da cidade de Itajubá. Está realizando estudos sob os aspectos legais e técnicos, busca de experiências bem-sucedidas de outras cidades, compartilhamento e discussões com parceiros, visando à compreensão de como as calçadas devem ser construídas, como as existentes podem ser melhoradas, que situações exigem intervenções mais drásticas, que materiais devem ser utilizados, que qualificação devem ter os profissionais de execução, etc. Desse trabalho deverá surgir a confecção de um manual de calçadas, ilustrado, em linguagem acessível e de distribuição gratuita. FAIXA DE SERVIÇO: É a área onde é permitido colocar o mobiliário urbano como árvores, postes, sinalização, bancos, telefone, floreiras, lixeiras, e deve ter, no mínimo 0,70m de largura . FAIXA LIVRE OU PASSEIO: É destinada exclusivamente a circulação de pedestres e deve ter, no mínimo, 1,20 m de largura, para assegurar passagem de um cadeirante. FAIXA DE ACESSO: É a área em frente aos imóveis e pode receber vegetação, toldos, mesas de bar, propaganda e mobiliários móveis. Só existe para calçada acima de 2,0 m de largura.
A Engenharia como Profissão
O homem é um ser transformador e criador desde a idade da pedra lascada aos nossos dias ele tem buscado aplicar os materiais e as forças da natureza em benefício próprio. Com o aparecimento da ciência moderna, por volta do século XVI, surgiu o que entende hoje por tecnologia. Por meio da resolução de problemas práticos e da fabricação de novos instrumentos iniciou-se um processo de transformação do mundo. Com o passar do tempo, as transformações começaram a ocorrer a uma velocidade cada vez maior e é o desenvolvimento da engenharia que tem ditado o seu ritmo. O mundo levou 50 anos para gerar eletricidade após o descobrimento da indução eletromagnética em 1835 por Michael Faraday. O mesmo ocorreu com a energia nuclear e com outros fenômenos. No entanto, década após década, a distancia entre a pesquisa fundamental e suas aplicações tem diminuído sistematicamente, em consequência do avanço da engenharia. A engenharia trabalha, diariamente, com a criação e o desenvolvimento de materiais, estruturas, máquinas, processos e sistemas para o uso do homem. O homem sempre fez e faz engenharia, a qual exige formação científica, criatividade e inovação. Sem engenharia não há energia, não há transporte, não há saneamento, não há habitação, não há telecomunicação, enfim, não há crescimento no planeta. E o profissional de engenharia é muito importante neste contexto. Ele precisa ter uma formação científica de base sólida. Esta formação é tanto mais valiosa quanto mais eficaz e duradoura for a influência na vida profissional. Em face do progresso científico e da constante inovação tecnológica, quando se fala da formação estamos, também, falando de formação continuada ao longo da vida profissional. Na universidade aprende-se a aprender, ninguém se forma de uma vez só. Somos estudantes toda a vida. É preciso mais esforço na formação dos profissionais da engenharia para se buscar o desenvolvimento sustentável capaz de conciliar os aspectos sociais, econômicos e ambientais.
A Engenharia e o Desenvolvimento Sustentável
O desenvolvimento econômico sustentável deixou se ser uma bandeira de ecologistas sonhadores para ser um conceito importante nas comunidades das nações. O desenvolvimento sustentável pressupõe a preocupação não só com o presente mas com a qualidade de vida das gerações futuras, protegendo recursos vitais, incrementando fatores de coesão social e equidade, garantindo um crescimento econômico e amigo do meio ambiente. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. A implementação do desenvolvimento sustentável assenta-se em três dimensões essenciais: o desenvolvimento econômico, a coesão social e a proteção ambiental. A sustentabilidade econômica é um conjunto de medidas que visa a gestão mais eficiente dos recursos naturais de forma a garantir uma exploração sustentável dos mesmos, ou seja, uma exploração sem colocar em risco o seu esgotamento. A sustentabilidade sócia-política é a humanização da economia e, ao mesmo tempo, do desenvolvimento do tecido social nos seus componentes humanos e culturais. A sustentabilidade ambiental consiste na capacidade que o ambiente natural tem de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres vivos, levando em conta a habitabilidade, o meio ambiente e a sua função como fonte de energias renováveis. Embora se tenham obtidos grandes avanços na economia, o mundo atual ainda está enfrentando grandes desafios: o meio ambiente continua deteriorando-se, os desastres naturais e os causados pelo homem são mais freqüentes, alguns recursos naturais se aproxima do esgotamento, o hiato entre ricos e pobres, entre nações desenvolvidas e não desenvolvidas, continua crescendo. A Engenharia tem uma participação importante neste contexto, por estar sempre presente na vida do homem desde os primórdios da civilização humana e por ter consciência da necessidade de se obter um contrapeso entre o uso dos recursos naturais e as necessidades das futuras gerações, preservando o meio ambiente e os ecossistemas. A Engenharia promove a ferramenta para o desenvolvimento econômico, como ciência produtora de conhecimento e de inovação tecnológica, que são fundamentais para o crescimento das nações. A Engenharia é o alicerce da inovação tecnológica, do desenvolvimento social e econômico sustentável. Neste novo século, a Engenharia será a chave para prover as soluções para ir de encontro das necessidades básicas de todos os seres humanos para – a água, o saneamento, a alimentação, a saúde e a energia- e ao mesmo tempo proteger a cultura e a diversidade natural. É função da Engenharia aliviar os endêmicos e aflitivos problemas que afetam as comunidades em desenvolvimento ao longo do mundo. A complexidade do mundo moderno exige dos profissionais de engenharia uma visão sistêmica e uma postura ousada de um espírito inovador e empreendedor. Com talento e conhecimento técnico os engenheiros transformam inteligência em tecnologia, serviços, produtos, desenvolvimento social e econômico. Eles aplicam análise científica e síntese holística para desenvolver soluções sustentáveis. O crescimento sustentável é intrínseco á sua função uma vez que ele concebe, projeta, cria e inova, sempre com a visão de longo prazo. O desenvolvimento sustentável será impossível sem a total utilização dos profissionais de engenharia. Escrito por: Eng° Paulo José Braz Rosas