ENCHENTE: Um Desastre Natural

Quando os fenômenos naturais atingem áreas ou regiões habitadas pelo homem, causando-lhe danos, passam a se chamar desastres naturais. Os desastres naturais podem ser originados pela dinâmica interna e externa da Terra. Os decorrentes da dinâmica interna são terremotos, maremotos e vulcões. Já os fenômenos da dinâmica externa envolvem tempestades, furacões, enchentes, erosões e estiagens prolongadas. Em teoria, os perigos naturais ameaçam igualmente qualquer pessoa, mas na prática, proporcionalmente, atingem os mais desfavorecidos, devido a um número muito maior de população de baixa renda, vivendo em moradias frágeis, em áreas mais densamente povoadas e em terrenos de maior suscetibilidade aos perigos.

Os desastres naturais foram responsáveis pela morte de cerca de 4 milhões de pessoas no mundo ao longo do século XX, sendo os terremotos os que mais causam vítima fatal, enquanto as enchentes são mais responsáveis por grandes perdas econômicas. Aproximadamente 66% dos desastres naturais ocorridos no mundo estão vinculados às instabilidades atmosféricas. As enchentes são os fenômenos mais comuns do planeta, sendo que 70% ocorrem nos países em desenvolvimento. No Brasil os principais fenômenos relacionados a desastres naturais ocorrem devido a eventos meteorológicos intensos prolongados, nos períodos chuvosos que correspondem ao verão na região sul e sudeste e ao inverno na região nordeste.

À medida que permitimos a construção em locais de encostas íngremes, em terrenos de grande instabilidade, na planície aluvial dos rios ou em áreas de influência dos córregos, estaremos correndo o risco de perder os nossos investimentos e as nossas vidas. Dados fornecidos pelo Serviço Geológico do Brasil indicam que 1.413 cidades brasileiras estão sujeitas a enchentes, das quais 267 tem maior risco de ocorrências de catástrofes na população urbana. Com o objetivo de amenizar estes problemas o governo brasileiro, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação naturais-MCT, está implantando o Centro de Monitoramento e Alertas de desastre Naturais – Cemaden, que será responsável pelo gerenciamento das informações emitidas por radares, pluviômetros e previsões climáticas.

O Cemaden está sendo instalado no Instituto nacional de Pesquisas e espaciais – INPE, onde reúne especialistas em meteorologia, sensoriamento remoto, mudanças globais e modelagem computacional, que são áreas fundamentais para se fazer um monitoramento eficaz. Conta também com o supercomputador “tupã” – que pode realizar 258 trilhões de cálculos por segundo – para aplicações meteorológicas, climáticas e ambientais e é capaz de prever eventos extremos com mais precisão, como chuvas intensas, secas, geadas e ondas de calor com prognostico com até seis dias de antecedência. O Sistema de Alerta do INPE estará totalmente implantado nos próximos quatro anos, um investimento estimado de R$ 250 milhões.

As inúmeras enchentes ocorridas no passado têm contabilizado sérios prejuízos à economia e progresso da nossa próspera região sul do Estado de Minas gerais. Itajubá, em particular, tem sofrido intensamente com este fenômeno climático desde os primórdios de sua fundação. A ocupação desordenada nas áreas baixas e alagáveis da cidade tem ocasionado enormes prejuízos à população, comércio e indústrias. Embora os fenômenos meteorológicos não possam ser eliminados, há, porém como evitar que eles se tornem grandes catástrofes, através da adoção de medidas preventivas com a execução de obras estruturais e não estruturais.

A construção do barramento no bairro Freires, para a contenção das cheias do rio Sapucaí, por exemplo, é considerada uma importante obra estrutural. Dentre as medidas não estruturais temos o Sistema de Monitoramento de enchentes, instalado pela Unifei, em parceria com a Copasa, que através de 18 estações temáticas de coletas de dados hidrológicos permite a elaboração, com algumas horas de antecedência, do mapeamento das áreas de risco. Com este suporte técnico a Defesa Civil, em parceria com o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, prefeitura e outros órgãos da sociedade, poderá articular com maior eficiência um plano de contingência, trazendo benefícios para as populações das cidades de Itajubá, Santa Rita do Sapucaí e Pouso Alegre. 

“Os desastres naturais não são riscos, eles tornam-se riscos por causa do homem, de sua ignorância ou sua negligência.”

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